Poesias e Letras de Músicas

De como se conheceram dois jovens

Ele era um homem solitário e sisudo.
Inglês de nascença, correra o mundo.
Cheio de regras e com grande influência,
Conhecia da sociedade todos os atalhos:
Incorporava, na verdade, sua essência.
Seu nome, Dinheiro. Seu sobrenome, Trabalho.

Ela era uma mulher sedutora e atraente.
Com seus encantos, envolvia toda gente.
Oriunda, parece, das classes burguesas,
Misturou-se ao povo quase sem perceber
E embora de sua missão não tivesse certeza,
Sabia que seu nome de batismo era Lazer.

A família dele era das mais antigas.
Surgiu quase junto da humanidade.
Sempre envolvida em rixas e brigas,
Por onde passou não foi sem alarde.
Embrenhou-se com escambo, ouro e sal,
Tida por muitos acima do bem e do mal.

Da família dela tem-se menos notícias,
Mas que não se diga haver registro nenhum.
Há indícios de que na Grécia antiga principia,
Passando por Roma e sua concepção de otium.
Na Idade Média, entre o pagão e o sagrado,
Começou a perder terreno, deixada de lado.

Ambas as famílias sempre se deram bem:
Onde uma estava, a outra estava também.
Até que veio a tal Revolução Industrial
E com ela a modernidade e a urbanização.
Desde então, que coisa!, nada ficou igual:
Trabalhos e Lazeres em mútua negação.

De ambas diziam-se serem alienantes,
Mas foi sobre os Trabalhos que mais pesou o fardo.
Favorecidos, porém, pela ética protestante,
Sempre foram dominantes, nunca dominados.
Já os Lazeres viveram verdadeiro inferno,
Não achando lugar nesse mundo moderno.

Eis que um dia, prega-lhes uma peça o destino:
Estava a passear o Trabalho, jovem menino,
Quando com a doce Lazer cruzou o olhar
E calhou do coração de ambos se apaixonar.
Foi tão grandioso esse mútuo sentimento,
Que logo marcaram glamoroso casamento.

A cerimônia foi acertada de supetão,
Quase não arranjam padre pra bênção.
E quando o pároco resolveu perguntar
“Alguém tem algo contra esse matrimônio?”
Eis que uma voz ousou cortar cruel o ar
Transformando a festa em pandemônio.

E aos gritos abafados de “Me largue! Me largue!”
Eis que irrompe do portal Paul Lafargue.
Maldizendo e excomungando o Trabalho,
O francês quase põe abaixo a missa
“Me desculpem se eu vos atrapalho
Mas todo ser tem direito à preguiça!”

Daí em diante a situação ficou caótica,
Cada um egoísta bradando sob sua ótica.
Tomemos de exemplo Callois e Huizinga:
Desandaram a orar sobre a beleza do jogo,
Alegando ao Trabalho faltar um quê de ginga,
Carecer ele do lúdico, a faísca do fogo.

Pior ainda foi o tal de Stanley Parker,
Que levantou a voz pra falar de antilazer
E recebeu de Roger Sue a estocada fatal:
Era o Trabalho uma deformação social!
Exasperava-se também Frederic Munné
Sendo rebatido por Joffre Dumazedier.

Nessa altura, a jovem Lazer, expressão vazia,
Ainda tinha que ouvir Vebler, Mills e Kaplan,
Corbin, Russel, Fourastié e De Grazia,
Além de um dueto de Riesman e Friedman.
Pra completar o coreto, um De Masi repetitivo
Não cansava de proclamar o ócio criativo.

No meio de tanta confusão, tanta rixa,
Debatiam Nicanor, Sussekind e Requixa,
Que junto com Marcellino e Ethel Medeiros,
Faziam jus aos pensadores brasileiros.
Gomes e Melo também estavam no recinto,
Acompanhados de Isayama, Bruhns e Pinto.

Foi então que percebi surgir, em meio à massa,
Um fenômeno diferente, coisa desconhecida.
A princípio perguntei-me “Que se passa?”,
Mas descobri: era a formação de torcidas!
Tinha quem apoiasse o Trabalho ou o Lazer
E quem torcia pro casório não acontecer.

Essa contenda foi ficando um tanto violenta,
Nem atenção davam ao padre e suas repreendas.
Eu de fora resolvi, então, no mestrado estudar
Como era a violência nesses grandes eventos
E que representações os torcedores de cada lugar
Associavam a esse tão temido acontecimento.

Algumas pistas certamente eu já tenho
Outras tantas pistas a Disciplina me deu
Agora é hora do tempo e do empenho
Pra tocar um projeto que é meu.
Muitas dúvidas afligem meu ser,
Mas é delas que provém o saber.

Quanto ao fim dessa história que conto,
Talvez seja melhor pôr logo três pontos.
Lazer e Trabalho e seus problemas de relação
Muito pano para manga ainda darão.
Por favor, não encarem como algo pessoal,
Mas a narrativa ganha assim seu ponto final.


Marcos de Abreu Melo
Governador Valadares / Belo Horizonte, 26 de junho de 2011

Los nuevos propietarios

(Pablo Neruda)

ASÍ se estancó el tiempo en la cisterna.

El hombre dominado en las vacías
encrucijadas, piedra del castillo,
tinta del tribunal, pobló de bocas
la cerrada ciudad americana.

Cuando ya todo fue paz y concordia,
hospital y virrey, cuando
(…)
era la rata el único peligro
de las tierras encarnizadas,
se asomó el vizcaíno con un saco,
el Errázuriz con sus alpargatas,
el Fernández Larraín a vender velas,
el Aldunate de la bayeta,
el Eyzaguirre, rey del calcetín.

Entraron todos como pueblo hambriento,
huyendo de los golpes, del gendarme.
Pronto, de camiseta en camiseta,
expulsaron al conquistador
y establecieron la conquista
del almacén de ultramarinos.
Entonces adquirieron orgullo
comprado en el mercado negro.
Se adjudicaron
haciendas, látigos, esclavos,
catecismos, comisarías,
cepos, conventillos, burdeles,
y a todo esto denominaron
santa cultura occidental.

BUSCANDO AMÉRICA

(Ruben Blades)

Te estoy buscando a américa y temo no encontrarte,
tus huellas se han perdido entre la oscuridad.
Te estoy llamando américa pero no me respondes,
te han desaparecido los que temen la verdad.

Envueltos entre sombras, negamos lo que es cierto,
mientras no haya justicia, jamas tendremos paz.
Viviendo dictaduras, te busco y no te encuentro,
tu torturado cuerpo, no saben donde esta.

Si el sueño de uno, es sueño de todos,
romper la cadena y echarnos a andar…
tengamos confianza, pa´lante mi raza,
pa’ salvar el tiempo por lo que vendrá.

Te han secuestrado américa y amordazado tu boca,
y a nosotros nos toca hoy ponerte en libertad.
Te estoy llamando américa nuestro futuro espera,
y antes que se nos muera te vamos a encontrar.

Te estoy buscando américa, te estoy llamando América,
y a nosotros nos toca hoy ponerte en libertad.

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